sexta-feira, 21 de outubro de 2011

“MENTAL SHOP”, UMA NOVA CONCEPÇÃO DE COMÉRCIO COM RESGATE DA CIDADANIA



Bazar é fruto das oficinas terapêuticas e de geração de renda realizadas nos Centros de Atendimento Psicossocial de São Vicente

Estimular a criatividade e promover a inclusão social. Esse é o objetivo das oficinas terapêuticas e de geração de renda realizadas nos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) do município. As peças confeccionadas nessas oficinas, após um processo seletivo realizado dentro de cada unidade, pelos próprios pacientes, são comercializadas no “Mental Shop”, bazar localizado ao lado do CAPS III Matter (Rua Padre Anchieta, 211, Centro), que funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas.
Com peças que variam de R$1,00 a R$50,00 e que possuem características singulares, o “Mental Shop” valoriza o trabalho realizado por pacientes que não deixam a desejar frente às lojas do mesmo ramo. Eles contam com acompanhamento e o apoio de uma equipe multidisciplinar da Secretaria de Saúde (Sesau) existente em cada unidade. Os pacientes também se revezam no atendimento aos clientes. Os produtos são artesanais e variam do crochê a quadros de pintura a óleo e tapetes. 
A psicóloga Tânia Regina Bizerra, que trabalha junto à coordenação de saúde mental do município, explica que o bazar é o embrião de um projeto maior de geração de renda, uma vez que os pacientes ganham uma porcentagem das peças comercializadas. “Além de auxiliar no tratamento, o objetivo do projeto é estimular ações para enfrentar os desafios na saúde mental, que visa ao resgate da cidadania e à promoção da reabilitação psicossocial”. O trabalho é desenvolvido a partir das diretrizes da reforma psiquiátrica e antimanicomial, que prevê a abolição da segregação e exclusão, por meio de métodos educacionais. 
Outro aspecto do projeto é a promoção do convívio em grupo, o respeito às opiniões diferentes e a possibilidade de trabalho para cada paciente. “Os produtos são selecionados nas unidades. Eles se reúnem, fazem críticas e avaliam cada peça. Isso desenvolve a criatividade e a autonomia. O resultado é a visível mudança do paciente, que tem a auto-estima elevada”, diz a psicóloga. 
Para o secretário da Saúde, Cláudio França, a iniciativa vai ao encontro da filosofia da Administração de resgatar a dignidade e a autoestima dos pacientes de saúde mental. “É mais uma frente para integrá-los à sociedade, mostrando um trabalho de alta qualidade”. 
Histórico - O “Mental Shop” nasceu em 2007, em caráter experimental – era aberto somente nas datas comemorativas. Em 19 de agosto deste ano, o local foi reformado com recursos conquistados, por meio de um projeto encaminhado pela Secretaria de Saúde (Sesau), ao Ministério da Saúde que promoveu, em parceria com o Ministério do Trabalho, o edital de “expansão e consolidação da rede brasileira de saúde mental e economia solidária”, proporcionando a ampliação do bazar. 
O município possui seis unidades de saúde mental: CAPS III Matter (Rua Padre Anchieta, 211 – Centro), CAPS AD – Álcool e Droga (Rua Diego Pires de Campos, 35 – Vila São Jorge), CAPS Rio Branco (Rua Donald Alexandre Kellman, s/nº - Jardim Rio Branco), CAPS Domingos Stamato (Rua Marechal Cândido Rondon, s/nº), CAPS II Infantil (Rua Visconde de Tamandaré, 410 – Centro) e Ambulatório de Saúde Irmã Dolores (Avenida Antônio Emmerich, 94, subsolo 1º e 2º andar – Centro). 



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